é que já fiz 5 planetas e praí 50 luas e estou cansada.
ao 7.º dia posso descansar?
Fazer bolo de aniversário para a miúda mais velha! <3
lá para 1999 acordei de madrugada feliz da vida porque chovia. estava a acantonar num salão paroquial em Cabo Verde (sim... não era nenhum hotel tudo incluído :|) e acordei com o barulho da chuva no telhado metálico. era agosto, verão, e chovia! era o dia em que tínhamos decidido que íamos à praia, mas chovia! e já não chovia há muito tempo.
e eu acordei feliz!
e acordei todos à minha volta porque estava feliz porque chovia!
lembro-me que ninguém celebrou a chuva comigo.
hoje, sei que não estou sozinha, que somos muitos a celebrar o regresso da chuva!
Piove!
chove!
it rains!
plou!
lluebe!
det regnar!
il pleut!
pluviis!
...
acima de tudo dói muito na alma.
este cheiro cheira a fumo!
este fumo tira o ar e dói.
este fumo deita fora o verde e pinta de cinza.
este fumo....
agora saiu-se com:
- a que horas chega o avô?
- depois do banho.
- não! no relógio, quando chega?
- o que estão a fazer aqueles xenhores, mamã? com um pau?
- a pescar, mi.
- pescar?
- sim, a apanhar um peixe.
- e tu, mamã, não pescas?
- não, filhote.
-ahhhh. é nas compras, sim? ..... e a carne, mamã? também se pesca?
-.... .... .... ( como vou eu explicar isto?) sim, mas é diferente, é na terra que se pesca.
-ahhhh
e responsável pelos teus filhos.
ontem tivemos festa bernarda, confusa e cheia de gente, barulhenta e vivida. daquelas festas de família unida e que partilha a vida.
festa bernarda feita no sítio onde os bernardos nasceram e cresceram.
no fim do dia, toca de vir para o porto.
e há incêndios que vês e quase cheiras.
e a estrada nova está cortada.
e parece que também não podes ir pela alternativa porque também está cortada. e o incêndio ali ao pé.
e havia 2 carros para trazer. e bem sabes que o teu é lindo mas anda pouco.
e pegas em água, e em comida, e levas tu o carro forte, com os dois miúdos lá dentro, e és tu que sabes o caminho, e a pipoca está assustada e tu em pânico "controlado"...
e tomas conta da situação.
e és adulta! (que te lixas!)
daqueles em que estás estourada... com tantos dias de trabalho como os que faltam para o fim de semana.
daqueles em que precisaste de tomar conta da tua gente (e que parece que não o suficientemente bem!) e que vá, se alguém também tomasse conta de ti também era giro! (mas tu és feliz a ter de tomar conta de gente)
daqueles em que o papá vai jantar com amigos e tu tens de ir buscar os dois ao infantário e às atividades e sei lá muito bem mais onde (e nem podes ligar o taxímetro!)
(mas a culpa é tua que escolheste um carro verde)
um dia daqueles...
e chegas a casa e não tens luz!
simplesmente não tens luz!
(parece que a edp tem de olhar para o contador pelo menos de 9 em 9 meses, não vá o bicho fugir!)
e estás a ficar sem bateria no telemóvel...
e ainda tens de ligar a tua mãe para ficar com os miúdos. e tens de voltar a ligar ao papá para acertar coisas. e os senhores da edp podem voltar a ligar, e ainda estás ao telefone com o senhor teu companheiro (que nesta história também é chamado de papá!)
e então, muito preocupado, diz-te o senhor teu companheiro do lado de lá do telefone: olha que precisas de bateria. põe o telefone a carregar!
...
...
está bem! vouu então bater com uma pedrinha noutra para ver se faço eletricidade!
espera, não tenho pedras em casa!
e é isto, minha gente. e é isto uma quarta feira!
quero muito nada!
eu também filho, também preciso muito de nada!
de nada numa casa do campo.
de nada numa esplanada no mar.
de nada com um copo de qualquer coisa.
de nada com vocês os três.
de nada no silêncio na natureza.
de nada com luz, cor, sol e risos.
as indignações e os indignados cada vez me indignam mais!
(a eterna: "esta frase é falsa!" Verdadeiro ou Falso?)
faz sempre xi-ró em vez de roxi.
bebe sempre antes de brindar com os copos...
<3
ele é as regras que cria!
olho para os lados e tudo se separa e se despede (acho que ainda ninguém comprou um descapotável).
eu estou quase decidida a pintar a meia dúzia de brancas que tenho no meu cabelo.
o meu homem "despediu-se" o ano passado. Já fez a mudança dele!
isso quer dizer que tenho de começar a fazer caminho porque só me resta a outra opção.
são milhares, papá!
...
"milhares" foi a palavra que o miudo com 2 anos e 20 meses decidiu escolher para mostrar a imensidão.
Este miúdo surpreende-me a cada passo!
nas últimas noites não têm acordado...
tenho dormido noites boas seguidas.
o mundo vai começando a fazer sentido.
quando a minha avó morreu, durante 1 ano acordei a pensar nela, custava-me e doía-me a alma. passado esse tempo o coração acalmou.
quando me separei daquele amor grande da adolescência/jovem adultice também precisei de um ano, lembro-me bem desta comparação.
hoje olhei para a ponte e para o trânsito que vinha de lá para cá. tinha o hábito de o fazer, para ver se ias demorar muito. de há coisa de um ano para cá, esse hábito passou a custar. não todos os dias, só às vezes. tal como passaram a custar outras coisas, outras datas... é parvo perder amigos. mais parvo ainda é perder amigos que não são dos teus, daqueles em que não podes por a mão na anca, ou no coração, e perguntar que raio se está a passar para se estarem a afastar... é isso que eu faço, só largo quando percebo. e não o pude fazer. sinto que perdi amigos dos teus sem saber ao certo o que se passou. foram coisas vossas. mas também os perdi. e custou-me muito. e doeu a alma.
hoje olhei para a ponte e para o trânsito de lá para cá e não custou. o lado de lá já não diz nada. tenho pena, mas não diz. o coração acalmou.
um ano, está visto que é a data que preciso para me resolver.
a vida deu uma volta grande e voltou ao início.
já a vejo calma e com outros olhos.
p.S.: é dos posts diário, para voltar aqui Arthur que for preciso.
é de diálogos deliciosos em séries.
cheira-me que vou ficar colada nesta!
hoje a rtp faz anos.
os meus avós também fariam, fazem!, 60 anos de vida em comum.
casaram-se em segredo neste dia, há 60 anos.
festejaram no dia seguinte com toda a família.
há lá pelo meio aqueles anos em que não o festejaram em conjunto no mesmo sítio físico, porque ele já não estava por cá, eu nunca o conheci, mas sei que ela sempre os festejou. nessa altura, ela tinha a camisola dobrada por ele guardada bem guardada. com as dobras feitas por ele. mas mesmo isso ela perdeu em determinada altura. alguém a dobrou de outra forma, a vincou com outras linhas... sei que te custou muito, mas que percebeste que aquela ligação a uma coisa física já não fazia sentido.
agora sei, querida avó, que estás com ele, que passaste o dia todo com ele. que podes olhar com calma para as camisolas bem dobradas.
por cá sentimos imenso a tua falta!
os meus filhos não conheceram o cheiro do teu colo, o sabor da tua sopa...
eu... .... ....
um beijo de parabéns!
Nada disso!
N a d a d i s s o !
Hoje de manhã olhei para uma sandes da máquina que dizia "S. Queijo". "Mas por que raio precisam de avisar que aquilo não tem queijo", pensei eu?
...
...
Já tive este texto escrito. Não o encontro...
Tenho uma amiga, essa amiga tem um filho, um filho pequenino. Esse filho pequenino tem uma doença. Aquela doença que nunca se diz o nome. Aquela doença que daqui a uns anos vai ser tratada com mais eficiência.
Tenho uma amiga, uma amiga forte, uma amiga MÃE. Uma amiga que tem de tratar a doença já, antes de se encontrar a solução milagrosa, já.
Tenho uma amiga que ficou sem chão em 2015.
Tenho uma amiga que conseguiu reagir e dar a volta e lutar. E tudo estava a correr bem, e a vacina já se avistava...
Mas tenho uma amiga que voltou a ficar sem chão, e a doença voltou.
Tenho uma amiga lutadora que tem um filho pequenino. E os filhos pequeninos não podem ficar doentes! Mas eu tenho uma amiga com um filho pequenino doente...
Esta é mais uma forma de mandar luz e força e sol e cores e carinho e amor e preces à minha amiga e ao filho pequenino.
O filho pequenino é grande de tão heróico que é.
O filho pequenino vai ficar bom!
O filho pequenino é o Tiaguinho.
O filho pequenino tem uns pais grandes que precisam de ajuda: https://www.facebook.com/pelotiaguinho/
Obrigada, a quem por aqui passar e a quem conseguir ajudar.